A minha opinião sobre…o Vegetarianismo

A verdade é que não tenho uma opinião formada porque não tenho de dar uma opinião, não me cabe a mim julgar ou comentar as escolhas alimentares de uma pessoa. Um dos pressupostos do Código de Ética e Deontologia da Ordem dos Nutricionistas, documento que é público por sinal, é que o nutricionista tem como dever

  • ser autónomo na sua prescrição
  • mas também dar a informação toda ao paciente
  • e aceitar/permitir que tome uma decisão autónoma e informada

Do ponto de vista técnico-científico, o vegetarianismo é uma opção saudável como qualquer outra. A grande questão prende-se sempre com a diferença individual e a genuinidade da tomada de decisão. As várias motivações para o vegetarianismo são complexas e não são independentes tal como a defesa de comer produtos animais não deixa de ter o seu interesse.

Num mundo perfeito, mesmo sem formação superior, as pessoas saberiam ter boas escolhas alimentares e não condenariam as escolhas dos demais porque estariam na sua própria jornada. Mas a natureza humana é mesmo assim e o que é bastante simples torna-se numa troca de ofensas e acusações que, a meu ver, não dignifica nenhuma das opções alimentares.

Enquanto profissional de saúde, tenho o dever e a obrigação de zelar pelo bem-estar de quem procura o meu serviço, de informar a pessoa sobre os benefícios e riscos das suas opções (com carne ou sem carne) e de lhe permitir uma decisão autónoma e informada.

No entanto, enquanto profissional de saúde (e enquanto pessoa) também tenho direito à minha autonomia e liberdade de decisão informada. Não posso nem tenho de assinar uma opção que não entendo como sendo a melhor opção para uma pessoa, seja ela com ou sem carne.

Seria um pouco o mesmo que escrever num plano alimentar que a pessoa pode beber 1 copo de vinho todos os dias mas eu entender que esse mesmo copo de vinho não lhe traz qualquer benefício ou valor nutricional acrescentado.

Perdoem-me os mais certos e crentes nas suas ideias e ideologias mas em nutrição, não há preto ou branco, é cinzento e a variabilidade/liberdade individual é um direito que nos assiste a todo o momento. Só podemos exigir uma coisa – auto-consciência.

Não temos de convencer ninguém a deixar de comer carne nem tão pouco convencer ninguém a continuar a comer, temos de informar e deixar a pessoa decidir de acordo com os seus valores e as suas crenças, assim como as prioridades. Em caso de dúvida lembre-se “Homem convencido contra-vontade, a sua mantém como verdade”.

Por isso se me pede uma opinião, desculpe mas vai ter de pagar a consulta porque a minha opinião vai ser totalmente personalizada.

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