“Não gosto de suplementar, prefiro tudo natural da alimentação”

No seguimento do artigo anterior sobre suplementos, esta é por certo uma das frases mais ouvidas e que traduz a desconfiança da população na toma de um suplemento. A necessidade de suplementar não tem de existir sempre nem tão pouco é algo obrigatório de fazer, no entanto quando o faz deve ser com a escolha certa e se tiver necessidade deve pensar duas vezes antes de rejeitar algo que pode de facto ajudar. 

A necessidade ou oportunidade de suplementar surge normalmente quando há uma necessidade nutricional que não está a ser satisfeita e essa falha está a gerar um sintoma (ou mais) e a prejudicar o bem-estar do indivíduo. Se mantida esta carência, pode começar a afectar a saúde mas normalmente a pessoa “responde” devido ao impacto que tem no seu dia a dia, se afecta o rendimento seja físico ou intelectual.

Como surgem estas carências? “Eu até tenho uma alimentação saudável…” 

Vamos partir do pressuposto que é verdade… ingere 3 a 5 porções de frutas frescas e 3 a 5 porções de hortaliças, o mais variadas possível e de todas as cores, aposta mais nos cereais inteiros e minimamente processados, inclui oleaginosas na sua alimentação em porção adequada e não exclui nenhum alimento ou um grupo de alimentos importante. Pode ter carências nutricionais se:

  • As suas necessidades forem superiores ao esperado nessa fase da sua vida devido a ter mais stress seja na vida pessoal ou profissional
  • Pode também ter necessidades acrescidas se praticar exercício físico e estiver num período de treinos mais intensos
  • Infelizmente esta razão é a que nos agrada menos, como nutricionista tenho de ser realista, o teor nutritivo dos alimentos que ingere não é tão rico como estabelecido e como tal a ingestão é menor

Polémicas à parte quanto à regulamentação, numa situação perfeita nós deveríamos ingerir frutas e hortaliças produzidas de forma orgânica, com respeito pelo meio ambiente e sobretudo no seu ponto óptimo de consumo.

Então devo suplementar sempre?

Não, só quando é necessário e é aqui que o papel de um profissional de saúde da área da nutrição tem tanta importância.

  • Deve ser feita uma análise das suas necessidades, do que é possível suprir com algumas correcções alimentares e dos sintomas/sinais que carecem de intervenção a curto prazo
  • E esta análise não é estanque, deve ser repetida, pode mudar com a mudança de estilo de vida ou simplesmente com as mudanças na alimentação
  • Acima de tudo deve ser feito um equilíbrio entre suplementação, alimentação e estilo de vida. Ouvir o seu corpo é essencial e nesse sentido, importa ser responsável e sensato.

Nesse sentido, a intervenção deve ter em conta

  • A alimentação do indivíduo e as correcções que devem ser feitas
  • Os sinais e sintomas que estão a incomodar neste momento e afectam o bem-estar no dia a dia
  • E o objetivo a longo prazo: promover saúde, optimizar o rendimento, reduzir o impacto de uma dada patologia

Estes motivos justificam plenamente que a suplementação seja tomada apenas com conselho de um profissional de saúde na área da nutrição ou pelo menos com o seu acompanhamento, é necessário avaliar um indivíduo como um todo e acompanhar a integração dos suplementos não apenas per si mas também nos hábitos alimentares e de estilo de vida.

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