Perder gordura: o que falta saber?

Estamos uma vez mais na época do Verão e este ano, um ano mais, voltamos a ter pessoas a procurar a consulta de nutrição em Maio, Junho e até em Julho para “perder gordura” e ter o corpo com que sonham. Não há nada de mal nenhum nisso, até é possível que seja nesta altura que lhes seja mais fácil arrancar num plano adequado e estruturado porque têm mais horas de sol, estão mais bem humoradas e têm menos “tentações” à mesa (ex:. comidas pesadas). Mas… quer perder gordura para o Verão ou construir o corpo em que vai viver muitos 365 dias? 

Quando muito se continua a escrever sobre estratégias de treino, alimentação, suplementos, etc. para perder gordura, menos se sabe e menos se faz. A verdade é que a chave está, para a maioria das pessoas que tem realmente sucesso na sua empreitada, na consciência e na consistência.

Não interessa procurar ter o corpo da revista X ou Y e seguir a estratégia hardcore que um preparador / PT lhe passa mas sim ser realista, consciente e acima de tudo amar o processo.

“Hold the vision, trust the process” 

E é isto que falta a tanta gente que quer mas não quer, tenta mas não faz, sonha mas não deseja fazer o caminho para ter:

  • Um corpo mais saudável
  • Uma mente mais consciente
  • Uma vida mais equilibrada

E um estilo de vida que seja compatível com estes três pressupostos mas que lhe permita viver uma vida que realmente deseje e não se sinta num programa militar.

E por isso é que ouço muitas vezes:

“Eu já fiz muitas dietas mas nenhuma resultou comigo” – nunca fez nada a 100%

“Eu como bem, treino muito mas o meu corpo continua igual e estou a desmotivar” – treinar muito não é treinar bem!

“Devo estar a fazer alguma coisa mal…” – mas depois não muda nada

 

Os ingredientes são 3, escusa de dar voltas e de andar a contornar a verdade:

  1. Um plano alimentar equilibrado, personalizado, que inclua estratégias de controlo de asneiras. O esqueleto do plano não tem de mudar de X em X tempo excepto quando não consegue fazer uma refeição ou quando os horários mudam, etc. O que pode mudar é a sua capacidade de inovar na hora de preparar uma refeição e de gerir as asneiras que faz.
  2. Um plano de treino/exercício realista e adequado que promova o objetivo mas também que assegure progressão. O exercício não serve nem para “Matar a pessoa” nem para “queimar calorias” mas sim para promover adaptações que levem à melhoria da condição física. E não passa por fazer horas e horas de treino com pouca comida.
  3. Um estilo de vida positivo. Em que acredita que vai conseguir e gosta do que está a fazer. Porque não há profissional de treino ou de nutrição que possa ajudar uma pessoa que não gosta do processo, tenha lá paciência! Nós também temos o nosso caminho, as nossas dificuldades, somos pessoas e não máquinas.

Quando procura um profissional e não tem a vontade de respeitar estas premissas, as suas expectativas são elevadíssimas mas o resultado não as vai corresponder e por isso anda a saltar de profissional em profissional, até que alguém lhe diga algumas verdades e abane o seu mundo ou desista do sonho.

E por isso é que essas estratégias drásticas de “detox” , “não coma isto ou aquilo” ou “este é  o suplemento que todos precisam” funcionam tão bem, estimulam a sua crença mais inconsciente de que existe aí algum truque que a/o dispensa da luta difícil que é lutar pelo corpo em que gostava de viver. Continue assim, quando acordar do sonho, os profissionais responsáveis ainda aceitam trabalhar consigo.

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