Suplementação – um assunto sem fim!

Algumas pessoas tomam demais, outras resistem à toma e só tomam quando já estão mesmo a precisar… a verdade é que a suplementação levanta sempre alguma polémica e infelizmente há muita gente que recomenda suplementação detrás de um balcão cheia dela.
Há um claro conflito de interesses presente… e uma falta de responsabilidade uma vez que devem ser os profissionais de saúde a recomendar suplementação. Mais recentemente, junta-se a isto uma estratégia de promoções e descontos constantes que põem qualquer pessoa capaz de ir comprar só porque há desconto. 

A necessidade e recomendação de um suplemento é pensada de acordo com factores muito concretos:

  • Objetivo

O suplemento ajuda de alguma forma o indivíduo a atingir o objetivo? Aqui temos vários exemplos:

Uma proteína pode ajudar na recuperação, um pilar importante para a melhoria da performance mas ajuda também a atingir uma dada ingestão diária que pode ser determinante numa pessoa que tenha dificuldades ainda no cumprimento do plano.

Já uma creatina tem um papel fisiológico específico, vai ajudar um indivíduo se este estiver a treinar numa modalidade que utilize como substracto a creatina fosfato – sprint, levantamentos, lançamentos e eventualmente modalidades mistas. Por muito eficaz que seja a melhorar a performance, vai fazer pouco por si se quiser correr uma maratona ou fazer um triatlo.

Outro exemplo, pode procurar pelas estantes todas e até encontrar muitos suplementos “com essa alegação” mas não existem suplementos que façam perder peso ou gordura. No entanto, pode ser-lhe recomendada uma suplementação que ajude a cumprir o plano alimentar e de treino que levam a que atinja esse objetivo.

  • A experiência

Acabou de começar a treinar? Dificilmente precisa de algo mais do que os suplementos que possam contribuir para o seu bem-estar ou eventualmente para uma boa recuperação. Sabemos que quando chega pela primeira vez para treinar, tem uma motivação sobre-humana e por isso quer fazer tudo ao mesmo tempo mas tem de começar por fazer o que realmente importa.

Uma pessoa que nunca tenha tido experiência em treinar regularmente não vai tirar partido de um super pack de suplementos… fique-se pelos básicos.

-Proteína (para pós-treino e numa ou outra refeição se aplicável)

-Ómega 3

-Vitaminas e minerais (mediante necessidades)

  • Quem recomenda?

Como é possível que acredite que uma pessoa por detrás de um balcão , onde não é exigida formação nem tão pouco responsabilidade na prescrição, possa dizer-lhe o que deve tomar.

Só falta a frase “ah os nutricionistas não sabem… por isso não lhe passaram nada”. Ah espera… também já o ouvi, o que teve ainda mais piada porque a seguir apresentei-me e “ouvi” um silêncio. A minha pergunta é simples: também pede conselhos sobre os melhores cortes para bife ao seu provedor de telecomunicações?

Seja sincero/a com quem acompanha a nível alimentar mas saiba ouvir. Um profissional responsável vai ouvir as necessidades, sensações e identificar oportunidades de intervenção. Há vários sintomas que podem levar ao conselho de uma suplementação, são 3 exemplos:

– Dificuldades de recuperação

– Défice de energia

– Alterações de memória, foco e concentração

Pode achar que o que foi recomendado não serve para nada no seu objetivo a longo prazo mas pense que o seu treino pode ser 4% ou menos do seu dia e a menos que seja um atleta de alta performance tem outras prioridades. Por isso mesmo deve pensar no indivíduo como um todo e não apenas no “atleta”.

 

Uma coisa é certa, há muito pouca ou nenhuma evidência sobre os suplementos ditos desportivos pelo que cada decisão ou recomendação é totalmente baseada no que realmente pode ajudar e pode fazer sentir-se.

Um profissional de nutrição vai ser isento, responsável e vai informar realmente sobre o que um suplemento pode fazer por si. No limite, pense duas vezes e tenha sentido crítico antes de comprar o pack reluzente ou ir às compras modo saldo de algo que é um complemento.

 

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